Seijin No Hi “Dia da Maioridade”

15/01/2013 - 11:49

A maioridade no Japão é obtida ao atingir os 20 anos de idade. É uma data importantíssima para os japoneses que têm um dia específico para comemorar o Seijin No Hi, dia em que fazem cerimônias Seijinshiki para dar as boas-vindas aos novos adultos.

O Seijin No Hi é um feriado nacional que tradicionalmente era festejado no dia 15 de janeiro. A data passou a ser móvel, toda segunda segunda-feira do mês de janeiro, após a aprovação de uma lei que permite a mudança dos feriados no Japão.

Aos 20 anos, os jovens passam a ter todos os direitos e deveres de um adulto. Podem votar, fumar e ingerir bebidas alcoólicas em público, além de poder contrair matrimônio sem o consentimento dos pais. O estabelecimento da maioridade legal, pelo Código Civil Japonês, ocorreu em 1876, após a Restauração Meiji.

 

Seijin No Hi (Imagem: Asahi-Shimbun - Reprodução Mundo-Nipo)

Jovens celebrando a maioridade  em evento Seijinshiki (Imagem: Asahi-Shimbun – Reprodução Mundo-Nipo)

 

Os Seijinshikis são realizados pelos departamentos de ensino das prefeituras que emitem convites de participação no mês de outubro a todos os nascidos na cidade e aos estrangeiros residentes que completem 20 anos no período entre dois de abril do ano anterior e primeiro de abril do ano corrente.

 

Vestimenta Oficial

No dia da cerimônia, os rapazes vestem ternos ou os tradicionais “hakamas”, calças presas por cordões nas cinturas e quimonos curtos especiais chamados de “ahori”. Algumas meninas esperam com ansiedade pelo Seijinshiki, que só perde em importância para a cerimônia de casamento. Nessa ocasião, elas vestem o “furisode”, quimono cujas mangas podem chegar a pender por um metro ou mais. O furisode é uma vestimenta especial para moças solteiras.

A preparação das jovens é um ritual um tanto complicado. Elas levam horas para arrumar os cabelos e se maquiar, além de ter que contratar uma pessoa especializada para vesti-las apropriadamente, pois é praticamente impossível vestir o furisode sozinha.

O custo destes trajes femininos é astronômico, no entanto, os masculinos são bem mais acessíveis, embora também possam ser caros. Um furisode pode chegar a milhões de ienes, por isso muitos optam por alugá-los. Para ter uma ideia, somente um “obi” (faixa da cintura) pode custar um milhão de ienes, dependendo da qualidade do material.

 

Responsabilidade

Durante a cerimônia, autoridades locais falam aos jovens sobre as responsabilidades e o peso de sua nova condição de adultos. Alguns prêmios são sempre oferecidos nessa ocasião como, por exemplo, em Oizumi, com a distribuição de “passes” para duas pessoas esquiarem por um dia no Kusatsu Kokusai Ski Jo (um resort internacional de ski) e sorteios de tablets, jaquetas de ski, uniformes esportivos, games, aparelhos eletrônicos e jantares em restaurantes.

 

Seijin No Hi - 02 (Imagem: Asahi-Shimbun - Reprodução Mundo-Nipo)

Cerimônia Seijinshiki (Imagem: Asahi-Shimbun – Reprodução Mundo-Nipo)

 

Jovens estrangeiros

Embora seja uma formalidade tradicional japonesa, há estrangeiros que participam. Alguns são tão integrados à cultura japonesa que torna difícil reconhecê-los em meio à multidão alegre e colorida que se forma nos salões.

Apesar da diferença cultural, vários estrangeiros participam, pois o momento é de festa por ser um “reencontro” de amigos da escola, onde podem rever pessoas que não veem há muito tempo. Os pais normalmente não participam dos Seijinshikis devido a distancia, embora alguns possam deslocar-se de seus países para prestigiar os filhos em um dia considerado de extrema importância para eles.

 

Número de adolescentes diminui a cada ano

A população jovem japonesa vem caindo a cada ano que passa e, consequentemente, o número de participantes nos Seijinshikis também. Anualmente, somente cerca de 65% dos convidados comparece às cerimônias.

Há muitos que se mudam de cidade para estudar ou trabalhar e, no caso de estrangeiros, retornam ao seu país de origem. Muitos não têm condições financeiras para pagar o aluguel dos trajes, embora haja recursos como os empréstimos de vestimentas pelas prefeituras. Além daqueles que não carregam boas lembranças dos tempos de escola e seu último desejo é rever seus colegas.

O número de estrangeiros, principalmente brasileiros, que participam é pequeno e varia bastante. Alguns se mudam de cidade e não se registram nas novas prefeituras, deixando de receber os convites enviados pelo correio. Além de outros que simplesmente não se interessam.

Entre os participantes estrangeiros, há aqueles completamente integrados à cultura japonesa que mal falam o português e até preferem evitar que os colegas saibam que são “gaikokujins”.

Contudo, O Dia da Maioridade ainda continua sendo extremamente importante para boa parte dos jovens japoneses e estrangeiros que chegam aos 20 anos no Japão. Uma data que ficará marcada na memória de cada participante pelo o resto de suas vidas.

Artigo adaptado por Maria Rosa

O artigo original foi escrito e publicado no site do jornal Tudo Bem em 24/01/2005.

 

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